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terça-feira, 13 de abril de 2010

A Comercialização Da Ecologia

Sei que vai parecer mais uma das minhas ideias nocivas, mas é exactamente o que se está a passar actualmente. Visto que com slogans e todo tipo de chamadas de atenção para alertar, sobre a importância de ter uma mente ecológica, pouco se conseguiu, surgiu então a ideia de mestre de comercializar a Ecologia, aproveitando o consumismo desenfreado de que somos reféns desde a revolução industrial.

Agora já não se precisa alertar sobre a importância da preservação ambiental, agora basta vender/comprar produtos ecologicamente testados e pronto!, está resolvido o problema da dita preservação ecológica. Programas como o cabelo verde, coração verde, greenpaper e todos os outros "Verdes", são a prova disso. Vou pegar, por exemplo, no dito cabelo verde que foi desenvolvido por algumas marcas de cosméticos e produtos de limpeza corporal, entre elas a L'Oreal Professionnel, que criou uma linha de Shampoos, Condicionadores e Máscaras ecologicamente testados, ajudando na preservação da natureza e no peso da consciência (Daqui a dias serão embalados em embalagens de papel/cartão, para melhor provar o compromisso com a ecologia!!! Eheh). Ainda na área de cosmética, há um dos lançamentos de Giselle Bundchen, Sejaa Pure Skincare, com fórmula eco e embalagens totalmente recicláveis, há também o Alma d'flor, e outras tantas marcas, também em outras áreas, para as quais nos viramos na crença que estamos a fazer a nossa parte para com o ambiente.

Isso assim também é, no eco turismo, que até agora não se encontra uma definição exacta, mas que vou descrever como a comercialização (porque turismo é comércio) da ecologia de certa forma, de um modo de difícil explanação, visto que é um ponto que varia de percepção em percepção - cada um tem a sua - apesar de a primeira impressão parecer ser simplesmente encarado como um turismo ecológico, mas que p'rá o explicar teria de fazer uma descrição individual de cada um e depois tentar encaixa-los para obter uma melhor, mas não exacta, explicação. Por isso, não vou aprofundar mais porque levaria dias para o fazer (Tenho consciência do que falo...).

Outros que facturam com a (falta de) ecologia, são as empresas de electricidade, que a cada lâmpada esquecida acesa e a cada tomada não desligada, é mais um tostãozinho adquirido apelando para a consciência ecológica e para as consequência do aquecimento global, mas isso é outro assunto, que talvez um dia volte aqui para "esmiuçar"...

(Esmiuçando tudo isso, o que estou a tentar dizer é que se alguém nos corrigir em algo que tenhamos feito considerado prejudicial ao ambiente, nós podemos contestar e até aí não achar que tenhamos algum compromisso ecológico, mas para comprar a ecologia - algum produto descrito como ecológico - apelamos para para a consciência ecológica e sentimos que cumprimos o nosso dever para com o ambiente.)

A realidade, ao que parece, é que não é fácil criar/assumir uma mente saudavelmente ecológica, mas quando se trata de comprar ecologia, fica bem mais fácil. Assim dá para passar a ideia de que toda gente tem uma consciência ecológica, variando no ponto de vista.


// Eu até já me sinto mais verde, porque o caderno onde faço meus rabiscos é feito de papel reciclado...!// :\

T!ka

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Nós É "Curto" E Nós Fala Bom "Pretoguês"

Hoje quando liguei a TV, mais própriamente o Canal 2 da TPA, senti uma vontade enorme de DESligar aqui... Aproveitando a deficiência linguística e socio-cultural que muito se tem notado na camada jovem angolana, decidi elaborar cuidadosamente este texto citando as gaffes e deslizes mais comuns, que quando não me tiram do sério, põe-me as gargalhadas!!

Começo por citar a estranha dificuldade que se adquiriu em começar e terminar uma frase no mesmo tempo, isto é, começar a frase no singular e termina-la no singular, ou começar no plural e terminar no plural. É incrível que esta simples regra grámatical, se é que posso assim chamar, tem se tornado tão complicada de seguir ultimamente. É engraçado que basta ligar a televisão e, sem muita espera nem esforço, lá se ouve esse deslize ser cometido...

Seguindo a gaffe citada acima, está a dificuldade de se destinguir o do Você, e da mistura dos dois, originando frases do tipo "Você foste...", realmente esse erro faz-me cair de rir!
Qual será a dificuldade em se perceber que o é próximo e o Você é distante? O é íntimo o Você é educado, cortês, será que preciso especificar mais?!! Só lamento que do jeito que a coisa anda, já se começou a tratar o avô por tu e o amigo/companheiro por você.
O mesmo acontece à mistura dos dois, não dá certo, o português por si só já é complicado, não necessita de mais complicação, conjugações do tipo "Você fizeste", "Você escolheste" e etc. não existem. Assim como também não existem as do tipo "Tú fez", "Tú escolheu", que felizmente não são tão comuns de se ouvir quanto as outras.
Já é altura de se começar a rever a velha grámatica, de haver mais inteiração sobre a conjugação dos verbos e sua variação por pessoa.

Outro erro cometido, já fora da area linguística, talvez devido a uma certa ignorância cultural, é o de atribuir nomes errados às coisas, e o de tentar transmitir um conhecimento por algo que se desconhece. Vou exemplificar o que estou a tentar dizer, visto que foi a forma que encontrei para me fazer entender.
Certa vez estava a assistir ao programa Dia-a-Dia do mesmo canal, e na rubrica sobre culinária o chef convidado apresentou o prato, uma espécie de roasted veges com molho Pesto. Quando interrogado pelo apresentador sobre o que era molho Pesto, e porque se chamava Pesto, o dito chef simplesmente respondeu que assim era porque era um molho para temperar saladas. Soltei uma gargalhada daquelas quando ouvi a (falta de) explicação do porquê, visto que molho pesto não só não é própriamente dito um molho para temperar saladas, como Pesto vem do verbo italiano "Pestare" que significa amassar, referindo-se ao modo de preparo do molho, que é pisado. Voltando ao chef, este começou a descrever os ingredientes do dito molho, citando a salsa, piões, azeite e sal, não me lembro se citou mais - deixei passar o facto dele ter usado salsa ao invéz de manjericão porque substituição de ingredientes é possível na culinária alternativa -, e o apresentador torna a fazer outra pergunta, perguntando desta vez, o que eram piões, o chef pensou, enrolou e explicou que piões eram passas d'uvas. Aí eu já estava a chorar de tanto rir, fiquei incrédula por alguns instantes, de certa forma até pelo facto do próprio apresentador não saber o que são piões.
Depois deste exemplo vou dizer mais o quê? Se é que deu para perceber...

E finalmente, voltando para a area da língua, tenho muita curiosidade em saber quem criou a ideia de que falar correctamente é afinar? Não sei se ainda não se deram conta, mas quem afina erra. O português só precisa de ser falado correctamene, não precisa necessáriamente de ser afinado, isso além de ridicularizar a língua, ridiculariza o "Afinador"!

... Se continuar assim, ainda seremos expulsos da CPLP, e sem a língua, sobra-nos a "curtura", visto que somos "curtos" de ideias...!!

//Perdoem meus erros ortográficos, se houver algum, sou angolana!// :\

T!ka

domingo, 4 de abril de 2010

Cor da Raça


Ao preencher certa vez a aplicação para o programa de acesso da universidade, deparei-me com uma questão que fez-me certa confusão na altura, e ainda faz. A pergunta era a que etnia eu pertencia, e dentre as opções a preencher havia:
- White/Caucasian (que equivale a Branco)
- Black (Preto)
- Coloured (o equivalente a mulato, pardo, cabrito, mesticio ou outra e qualquer descrição que tal raça tenha)
- Asian (Asiatico).

Sou originária de uma mistura de branco e mesticio, tenho a pele clara e o cabelo liso, mas não chego a ser "branca", por isso fiquei baralhada, sinceramente até hoje não sei a que étnia pertenço. Talvez pensando que o inglês já me facilitaria, poderia considerar a hipotese de ser coloured, que seria a mistura de preto com branco... Mas é exactamente aí onde começa o fio da meada! Não é suposto a mistura de preto com branco dar cinza e não coloured (que traduzindo seria colorido)?!
Entrando para esse ponto de vista de cor associado a raça, diz-se que no mundo existem apenas 2/3 raças, onde se enquadram todas as outras "sub-raças", isto é, existem apenas as raças Branca, Negra e/ou Asiática (como seria associar a raça asiática à cor?), tudo o resto - mulatos, morenos, pardos, sem-cores - se enquadram nessas 2/3 raças. Como eu, sendo uma sem-cor/raça (no meu ID sou descrita como sendo de raça Mista) até agora não sei onde me enquadrar, acho que se devia aproveitar a globalização e deixar essa descrição da era vintage de TV à Preto e Branco, e entrar para a era COLORAMA, passando a descrever a raça/cor como Castanho Escuro e Claro, Beige, Amarelo, Vermelho, Cor-de-Rosa e o resto de cores que realmente se vê nesse Mundo colorido(*) onde vivemos... Talvez sem essa divisão de raça existente não haveria este certo racismo oculto, que não deixa de ser notório...

(*)Mundo colorido não associado a gay, não me interpretem mal...

//Já foi avisado de antemão que as ideias deste blog são uma bosta// :\


T!ka

sábado, 3 de abril de 2010

Identidade Canina



Certa vez L contou-me uma cena assim:

"Lá na rua onde morava, por mais engraçado que pareça, o cães da vizinhança tinham os nomes dos vizinhos. O Manel cão do vizinho Tony, era chará do vizinho da rua de trás (Nomes fitícios, não vou estar aqui a expor os vizinhos), a Maria era a vizinha da porta da frente da Olga, a dona da Maria, a cadela, e por aí fora. Eram média de 6 ou 7 cães, a maior parte dos cães da rua, que tinham o nome d'algum vizinho... Era uma festa quando se começavam a chamar pelos nomes, acho que tanto os cães como as pessoas ficavam confundidos acerca de quem estava a ser chamado, a não ser que se chamesse o nome seguido de um assobio, ou da velha e boa forma de chamar cachorro com os beiços esticados, aí ficava tudo esclarecido. Mas isso não é o 'último nó da corda'..."

"A minha (ex) vizinha do lado deu à cadela o nome da amante do marido, Laura..."

Agora, eu me pergunto se a intensão da vizinha é criar a dita cadela para odia-la no lugar da outra Laura, visto que vai sempre se lembrar da outra quando a chamar, ou se afeiçoar a cadela para ser mais fácil de aceitar a rival???...
E voltando aos vizinhos, seguindo a linha de pensamento acima, teria sido este o método achado para suportar melhor o vizinho, afeiçoando-se aos bichos com os mesmos nomes...???

//Particularmente falando, se fosse comigo, não sei se o efeito seria positivo// :\

T!ka

Meus Porquês(?) aos Luandenses (Caluandas)



» Porquê que a vossa vivência depende de Social Status?

» Porquê que a aparência é mais importante que o intelecto?

» Porquê que responsabilidade com o horário é para os outros, não para vocês?

» Porquê que querendo ser diferentes sois tão (inconvenientemente) globalizados?

» Porquê que negam vossa cultura e adquirem a alheia?

» Porquê que vossa higiene começa e termina no corpo, a mente e o espaço/ambiente que vos rodeia permanecem sujos?

» Porquê que só vocês sabem falar português?

» Porquê que de vossa vivência festiva não se aproveitam frutos?

» Porquê que se acham tão simpáticos e ao mesmo tempo tão superiores?

» Porquê que para tudo é necessário a dita "cunha" ou padrinho na cozinha?

E por fim:

» Porquê que tratam aquele que não é de Luanda como sendo da "Província", sendo Luanda também uma Província?


T!ka